quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Viagem de Moto pelo Brasil - Relato 09




Relato da viagem que efetuamos eu, GILBERTO CESAR BARBOSA DE OLIVEIRA e ARLI FIGUEIRA.

Um giro  de  Moto pelo Brasil, com visita a todas as capitais dos estados e Distrito Federal.
Saída de Porto Alegre: 27/08/2016
Retorno  Porto Alegre: 19/11/2016
Duração da Viagem: 85 dias
Total de Km percorridos: 20.255
Combustível:  940 litros
Motos utilizadas: Shadow 600/2003 e Shadow 750/2013


9º Relato
Salvador - Ibotirama - Palmas - Campinorte - Goiânia - Brasília e João Pinheiro



A CRUZADA PELO PAÍS

64º dia

Sábado,29/10
Em Salvador
         
O clarear do dia começou por volta das 5h em Itapoã, uma característica do Nordeste que nos foi sempre benéfica, pois aproveitávamos para começar a rodar ou a passear, conforme o caso.
Neste caso, os passeios pela Salvador estavam na agenda.
                         Um café da manhã nas redondezas do camping e depois para um tour pela capital baiana de ônibus. 


O coletivo circulou margeando a orla, saindo de quando em quando para pegar uma outra avenida, porém sempre voltando a ela. 
Isso foi ótimo, porque podemos intercalar o visual das praias com o cotidiano de alguns bairros próximos.       

A extensa orla de Salvador está composta por grande número de praias. Monumentos e Marcos são outra constante no cenário da capital.
           Pintado em um grande muro, uma série de painéis retratam algumas das celebridades da Bahia e, por consequência, do BrasilVinícius de MoraisDorival Caymmi, Castro Alves, dentre outros.
     
 Descemos em meio a Avenida 7 de  Setembro, referência comercial da cidade, e fomos caminhando em direção ao centro histórico.
                               
Uma parada na Praça Castro Alves, depois para o Elevador Lacerda com descida para o  Mercado Modelo e Pelourinho.
Elevador Lacerda



            
Uma contemplação no forte de
São Marcelo, encravado na Baía de Todos os Santos.   
Arli canalizando energias por meio
do Reiki
 Na praça, frente ao elevador Lacerda, a grande presença de vendedores de fitinhas e santinhos por pessoas místicas e um número maior ainda de turistas preenchem todos os espaços ali existentes.  


No mesmo ambiente, o Museu da Câmara chama muito a atenção pela sua arquitetura.

O Pelourinho, a grande obra arquitetônica, histórica e cultural da cidade, já estava recebendo um grande número de turistas e de pessoas para trabalhar.




Jogos de Capoeira, batucadas, baianas vestidas à caráter, danças, apresentações, venda de produtos e muito mais.
Assim estava o Pelourinho naquela radiante manhã de sábado. Uma verdadeira festa de cores contagiantes.

Efetuamos um longo passeio, diferente e encantador. 
        Um almoço rápido foi o que fizemos e continuamos com nossa caminhada pelo locais lindos de Salvador.

Em todos os cantos as movimentações acontecem. Não há silêncio no Pelourinho. Uma banda aqui, um monte de turistas ali. 
Assim acontece a boa vida por aqui.Ao final da tarde, voltamos para Itapuã, tomamos banho de mar até o anoitecer.
                    Encerramos a noite com janta e muita batucada no bar do camping, com mistura de samba e futebol.
Uma televisão mostrava o jogo entre Bahia e um outro time (?!) pelo brasileirão 2016. Volta e meia, alguém gritava gol, quase todos repetiam, pulavam e voltavam para o samba.
            Acabou a partida de futebol e o samba continuou até altas horas, quando então tratamos de nos recolher em nossas barracas no camping ecológico de Itapuã.


65º dia

Domingo, 30/10
Em Salvador       
Motos prontas para o passeio
                               
A estratégia do domingo foi sair com as motos, de modo a ganharmos tempo, bem como atingirmos a outros pontos da cidade.


Isso, nós conversáramos  com Rogério, que nos falou ainda que mais outros dois motociclistas estariam no passeio de domingo. Os parceiros estariam chegando por volta das 9h.
                            Aproveitamos  assim, para dar uma caminhada pela praia de Itapuã,, logo depois do café matinal.
                            As nove horas chegou Angel. Pouco depois chegaram Rogério e o Alex. Estava formado o quinteto que iria percorrer alguns outros cantos da Salvador conosco.
Chegando na lagoa do Abaeté
Saindo de Itapuã
Tudo pronto!. Lá fomos nós para o tour dominical. As cinco motos estavam roncando pelas avenidas da capital, indo para a Lagoa do Abaeté, um ponto turístico importante de Salvador.
Apesar da leve brisa que havia, o calor não estava deixando por menos. O sol forte chegava a ofuscar a visão  nas areias do Abaeté.
Na chegada, um ritual afro estava acontecendo. 
O evento ,por si só, chamava a atenção das pessoas que ali se encontravam. Da nossa parte, consideramos uma recepção interessante. Abençoada, eu diria.

      A pouca sombra no entorno da lagoa, fazia com que um grande número de pessoas buscassem refúgio na parte anterior, uma questão de cem metros da água.


Nós não conhecíamos a lagoa, daí a grande satisfação de ali estar, próximos da água, em local emblemático para a inspiração de compositores e cantores baianos.

 Da Lagoa do Abaeté, seguimos em direção à Cidade Baixa. O caminho escolhido, pelos parceiros, foi bastante interessante, pois abandonamos as vias mais expressas e principais, efetuando diversos atalhos adentrando em solo de diversas comunidades. 
Paramos no Bairro da Ribeira, um dos locais mais antigo de Salvador. São vários os casarões, as ruelas e uma grande movimentação de pessoas pelas ruas. A Ribeira é bastante conhecida, em função da Sorveteria Ribeira, um ponto obrigatório de parada.
Disse Rogério: "depois do almoço, voltaremos aqui para que vocês provem do melhor sorvete de Salvador. Impossível sair daqui sem que se prove ..."
                         E tratamos de ir para o almoço, o que aconteceu  a pouco mais de cem metros da sorveteria. 
Um restaurante simples, porém com uma comida muito saborosa. Quem deu a dica e as coordenadas foi Alex, dizendo ainda que sempre que possível veem para a Cidade Baixa, mais precisamente para a Ribeira.
                       Nos demoramos bastante no Restaurante Nosso Tempero. As conversas estavam animadas, e cada qual falou das viagens realizadas de moto e dos projetos das máquinas. Esse assunto nunca é demais.
Na saída, uma das atendentes solicitou ser fotografada com todo o grupo, juntamente com as motos. Acertamos faze-lo depois da ida à sorveteria, pois as as motos estavam estacionadas na frente. 

E fomos provar o sorvete.                     
  São muitas as variedades. Depois de alguma ajuda e sugestões dos parceiros, escolhemos um. 
Provamos  e, sem dúvidas, Aprovamos!
Na Sorveteria
São mais de sessenta sabores, tendo a fruta como ingrediente principal na maioria dos tipos.


De volta ao restaurante
Do sorvete para o restaurante, para a foto  com a atendente.
Devido o grande movimento que continuava no "Nosso Tempero" a foto foi inviabilizada. Nós até que ficamos na espera por um tempo. Mas não rolou, infelizmente.  

Fomos para a Igreja do Bom Fim, o grande cartão postal do Brasil. 
          O local, que é um dos mais visitados da capital, estava muito ornamentado e com um grande toldo em frente à porta principal. Uma missa, estilo campal, teria  acontecido. Daí a razão da lona protetora.


Dentro do templo religioso, alguns fiéis faziam a sua devoção e rezas.
Uma turista recebendo unção


As Fitas de Nosso Sr. do Bom Fim

Na parte externa, os turistas, os homens do ofício da fé, vendedores e transeuntes, complementavam o colorido do entorno.


O pipoqueiro oferecia não só pipocas, mas sim,   modernas e deliciosas pipocas. 



E ali, ficamos por um bom tempo, contemplando, caminhando no entorno, visitando as lojas de artesanato e de adereços religiosos.
                                                        Da religiosidade do Bom Fim para a Ponta do Humaitá, Praias, Farol  e Forte de Monte Serrat.


Ao fundo, a Salvador

O local  é muito lindo. 
A combinação sol, mar, e visual fazem da Ponta do Humaitá o mais estratégico  para uma excelente  admiração de cidade. Por estar situada na ponta da península, tem ali instalado um farol para orientação náutica. 
               A Igreja e o Mosteiro de Nossa Senhora de Monte Serrat é ponte de parada. O prédio, datado do século XVII, guarda muito da sua originalidade.

     Fechando o circuito, o Forte de Monte Serrat,  antiga construção militar, que juntamente com os demais fortes da região impediram o desembarque de inimigos nas praias da região no passado. Hoje abriga o museu das armas, tendo se tornado um dos mais visitados pontos turísticos da cidade.
                Deixamos a bela vista panorâmica que a Ponta do Humaitá proporciona da baía de todos os santos e de parte da costa de Salvador. O local é encantador.
Rogério, Gilberto Cesar, Alex, Angel e Arli
 Descendo, rumo Dique do Tororó, foi  possível ver  um pouco do domingo de várias pessoas se refugiando às sombras em meio a rua nas proximidades da Praia da Boa Viagem.   

E chegamos do Dique do Tororó.
  
Trata-se de um manancial com um parque de esporte e lazer, com espelho d'água que possui oito grandes estátuas que representam  os orixás: Ogum, Oxum, Oxóssi, Xangô, Oxalá, Iemanjá, Nanã e Iansã.

                                O local, que fora uma represa em 1670, com a função inicial de proteção contra os invasores, foi sendo aterrado para a expansão da cidade, o que o reduziu consideravelmente.


Do parque, uma parada na Arena Fonte Nova, o estádio de futebol.


Uma passada pela área  central da cidade baixa, chegando ao Calçadão do Farol da Barra.
Ali, estacionamos as motocicletas e fomos passear pelas imediações, com visita ao Farol.
Calçadão,  praia e imediações do Farol , estavam repletos. 
         Na praça do farol, a alegria contagiante dos baianos, por meio das músicas, das danças e apresentações culturais.
Ao cair da tarde, tratamos de começar a encaminhar o nosso retorno para Itapuã.
Rogério, Gilberto Cesar, Arli, Alex e Angel


Nos despedimos dos parceiros, sempre agradecidos pela acolhida e o excelente tour que havíamos efetuado. 


Angel, que mora nas imediações, ficou por ali.  
Rogério, bem mais adiante, acenou , buzinou  e pegou o rumo da sua casa.  
Alex foi conosco até as proximidades do camping.
                Em Itapuã, ainda deu tempo de um bom banho na praia, uma caminhada pelas areias, bar do camping, janta e descanso, pois a maratona fora grande.

Em especial, quero dizer que o Rogério foi um grande companheiro. 
Desde a nossa estada em Refice, quando por meio da Dul Ci, ficara ele de nos apoiar. O fez com muito entusiasmo e parceria. Nos acompanhou desde lá, até o final da viagem., 
Um grande parceiro, a quem particularmente agradeço. 
    
66º dia

Segunda-Feira, 31/10

De  Salvador para Ibotirama  
                           
Depois de mais de 9h de passeios por Salvador, no domingo, tendo sido rodados  92 km, era hora de pegar a estrada.
    Muito cedo tratamos de remontar os alforjes, desmontar o acampamento, acomodar as bagagens e tratar de rodar. Uma rotina bem conhecida.

                   Efetuamos o primeiro abastecimento nas proximidade de Itapuã, onde também aproveitamos para nos inteirar da saída da cidade. Devido a hora, o trânsito ainda estava tranquilo no tangente ao fluxo.


Ingressamos na rodovia BR 324 combinados de que o café da manhã seria  na cidade de Feira de Santana, que distava mais de 100 km.
Tranquila a viagem, não fosse um acidente envolvendo um motociclista e um caminhão, com lesões no condutor da moto. Momentaneamente, uma sensação ruim. A presença dos profissionais do socorro, bem como a correria em volta, davam conta de que a gravidade era patente para aquele motociclista.
Paramos um pouco para a retomada do fôlego. 
Ruim começar o dia assim, comentou Arli Figueira, ao que, quase em silêncio, concordei também.
 E fomos em frente.
Ingressamos na cidade de Feira de Santana e tratamos do reabastecimento das motos e nossa, com um bom café da manhã.

E voltamos para a estrada depois dessa pequena parada. O visual ondulado nos acompanhou por algum tempo e, com a rodovia de boa qualidade, nos permitimos desenvolver um boa velocidade. 
                          Com o passar da hora, o meio-dia foi chegando e tratamos de um local para reabastecimento das motos e para a parada de almoço. 
      
Paramos no povoado de Rosarinho, município de Rafael Jambeiro, quando tiramos mais de uma hora para descanso.
Um boa conversa com os frentistas e já começamos a saber a respeito da Chapada Diamantina, que estava muito bem anotada em nossas agendas. No entanto, ainda estávamos a mais de 200 km do espetáculo natural.

Devidamente almoçados e descansados, voltamos a rodar. Cruzamos pelo município de Itaberaba e os sinais das primeiras cadeias de montanhas começaram a aparecer. Ainda estávamos longe da chapada, porém o visual por ali, não deixava na da a dever. 
Itaberada faz parte da região montanhosa, que antecede a chapada propriamente dita.


Ao longo do trajeto, uma casa, quase ladeira a baixo, chamou muito a atenção pela proximidade para com o barranco.

Quilômetros à frente, foi o ronco dos motores das motocicletas que quebraram o silêncio da senhora que caminhava no acostamento da rodovia. Uma virada de rosto para ver do que se tratava.
E chegamos ao município de Lençóis.
                A cidade, considerada Portal da Chapada Diamantina, compõe a região, hoje protegida pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina.
             Palmeira, Andaraí, Mucugê e Ibicoara são os demais principais municípios componentes dessa cadeia de serras e montanhas. Ali, estão concentradas as maiores altitudes da região Nordeste.
Em Lençóis, efetuamos abastecimento, compra de souvenirs e nos inteiramos mais a respeito da Chapada.
 O Morro do Camelo está entre os que são mais conhecidos do complexo montanhoso.


Outros tantos, são de deixar qualquer pessoa à beira do "inacreditável". A visão é fantástica.
A magnífica obra é, com certeza, de Deus.


Por muito tempo ficamos a contemplar o que víamos. São muitos os acidentes geográficos. Extensa é a chapada. 
         Mesmo numa visão parcial, deu para ver a beleza, a grandeza e a exuberância da natureza que, por capricho, premiou o estado da Bahia com tudo aquilo.
       A oportunidade para nós foi rara. A ela nós buscamos, quando da montagem do circuito dessa viagem. 
Valeu muito a pena. 

Continuamos a viagem e fomos sendo acompanhados por muitos quilômetros com o lindo visual das cadeias de montanhas e, por muitas vezes, de olho no retrovisor, para rever aquilo que estávamos cruzando.




Nós ainda paramos por mais duas vezes para
contemplar esta parte da Chapada da Diamantina.
Gilberto Cesar e Arli Figueira



Parar,  
refletir e olhar e admirar. 
É isto e um pouco mais,  que se sente ao estar diante daquela grandeza maravilhosa.

Nós estávamos felizes, pois esta era a segunda chapada que estávamos cruzando ao longo da nossa viagem.


A nós restavam pouco mais de vinte quilômetros para passarmos por Seabra, a última cidade da Chapada, e pouco mais de duzentos km para o nosso destino do dia:Ibotirama.
               Nas proximidade de Seabra, obras na pista nos retiveram por mais de vinte minutos. O problema não foi a parada, mais o sol e o calor. Passamos um mau bocado ali. Por sorte, nossos reservatórios de água estavam com lotação máxima, o que foi muito bom e saudável para nós.
Uma longa fila de veículos ali se formou. Ficamos conversando muito com um motociclista do município de Seabra sobre a chapada, os municípios que a compõe, as cachoeiras, as trilhas, e acerca dos animais que por ali vivem.
      
Seriam, na verdade, alguns bons dias de ecoturismo se quiséssemos conhecer pouco mais a fundo a Chapada.  
 A conversa foi boa, mas ele estava mais interessado em saber da nossa viagem, do nosso Estado e da quilometragem percorrida. E, é claro, falamos de nossas aventuras e dos locais por onde andamos. 

              E passamos por Seabra com rápida parada para abastecimento.
         Cortada pela rodovia, deu para perceber a quantidade de pousadas ali existentes. Isto faz parte da infraestrutura dos municípios pertences à Chapada, no que toca ao recebimento de turistas.
  Mais uma parada para abastecimento. Agora em Oliveira dos Brejinhos, e chegamos, bem ao final do dia, ao nosso destino, Ibotirama.
                        Procuramos por uma pousada, um banho, uma janta e tratamos de descansar.
       

     Foi um dia muito rico, onde a geografia saiu dos cadernos escolares para se materializar aos nossos olhos.
 Cansados, desligamos o mundo.


67º dia

Terça-Feira, 01/11
De  Ibotirama para Palmas   

A distância de Ibotirama para Palmas, pouco mais 800 km, seria um grande desafio para nós. 
Até então, o que mais havíamos rodado em um dia, fora  de Boa Vista para Presidente Figueiredo, era 665 km,.
                      Concordamos em acordar muito cedo e começar a rodar, mesmo depois dos 664 km do dia anterior, ou seja, de Salvador para Ibotirama.

Assim o fizemos. Coo não havíamos retirado praticamente nada de bagagens das motos, logo estávamos prontos para a partida.


Nosso destino:Barreiras,        depois Palmas
Dia claro, temperatura agradável, foi assim que começamos a deixar Ibotirama.  Além da placa de agradecimento pela  visita, uma grande ponte, em arco, faz a ligação com a rodovia BR 242. Descendo-a, os grandes paredões de uma grande cadeia de montanhas
Sob a ponte, o majestoso Rio São Francisco. 
   Um espetáculo a saída da cidade e o início da viagem.
Uma verdadeira muralha da natureza, bem ali a nossa frente.


Nós já havíamos rodado mais de 120 km e as montanhas ainda estavam nos acompanhando. Por vezes, as curvas da rodovia passavam muito próximas dos altos paredões. Isto nos deixava minúsculos, por demais.


Paramos em Cristópolis para reabastecimento das motocicletas e café da manhã.  
Já havíamos  rodado mais de 170km.
Um pequeno comércio se dividia entre duas lanchonetes, mercadinho, bar, restaurante e lojinhas de variedades.
           Um bom café foi o que tomamos por ali.  
                             Cruzamos o perímetro urbano de Cristópolis e continuamos a viagem. 
          A boa estrada nos permitiu uma excelente velocidade. Em questão de pouco mais de hora, já estávamos ingressando em solo do município de Barreiras.

Cruzamos lentamente, observando em ambos os lados da rodovia. Forte comércio, grande movimentação de pessoas, trânsito moderado e edificações de porte grande.
Foi um retrato meteórico daquela parte da cidade. 
                   
                               Em Barreiras, que originalmente seria o ponto do nosso pernoite, efetuamos o reabastecimento das motos, ingerimos líquidos e tratamos de abastecer os recipientes com água reserva.
         Arli fez comentários de que caso a rodovia  continuasse nos mesmos moldes , chegaríamos em Palmas antes do anoitecer.  As motos estão deslizando, complementou.
            Que ótimo, pensei.     Bóra,  ... cumprir, foi o que falei. 

    E voltamos para a estrada.
   A rodovia continuou com as mesmas condições de trafegabilidade.
A isso, aproveitemos para fechar o punho, e deixar as motos deslizarem, conforme a referência anterior do parceiro.

                                                   Foram quase 100 km e cruzamos  o município de  Luis Eduardo Magalhães, para em seguida ingressar na rodovia BA 460.
Deixamos, assim, a BR 242.



A rodovia por vezes nos fez reduzir um pouco a velocidade, até por ser ela mais estreita, carente um pouco de sinalização, porém sem que tenha comprometido muito a nossa marcha. No caminho, inúmeras fazendas com enormes laranjais, davam conta do bom aproveitamento do solo daquela região baiana.
Mais adiante, outras propriedades,  onde os trabalhos onde acontecia o preparo do solo para o plantio.  
Máquinas e homens em movimento e uma densa poeira levantava pelo campos, dado o remexer na terra.         
                              
     Em frente a uma delas, uma parada para descanso e ingestão de 
água. 
O sol ardente, associado ao calor e a falta de sombras, nos fez parar sob os poucos conqueiros a beira da estrada.   

E veio a divisa dos estados.
Tocantins a se apresentava.        Nós, pela primeira vez, pisando e rodando no mais novo estado da nação
 A criação do Tocantins deu-se emm 1989, tendo Goiás cedido o solo para a terra das    novas possibilidades.

O novo Estado também nos apresentou uma outra geografia. 
Alguns morros  de média extensão quebraram a horizontalidade que víamos percorrendo na vizinha Bahia.

        Nosso rápido almoço se deu na localidade de Dianópolis, oportunidade para o reabastecimento das motocicletas.
                        No pequeno restaurante, um cidadão, que ali almoçava, perguntou de onde estávamos vindo e para onde estávamos indo. 
De Porto Alegre, respondemos.
Dali de Porto Alegre . . . falou ele. É pertinho.
               Intrigados, fomo descobrir o tal "pertinho" pois pelo nosso cálculo, estávamos a mais de 2.700 km de distância. 
          A atendente do restaurante foi quem ajudou a esclarecer.
Uma leve confusão estava fazendo o cidadão. É que bem ali perto, cerca de 30 km, existe um município chamado Porto Alegre do Tocantins. Foi isto que gerou a confusão. 
Esclarecido os fatos, ele ficou boquiaberto com a cruzada que estávamos fazendo. 
                   Deixamos o restaurante e, em pouco mais de dez minutos, cruzamos  pela Porto Alegre do Tocantins.  Continuamos a viagem pela Rodovia  Coluna Prestes, a TO 050
               A tarde seguia tranquila e já se passavam das 16h quando uma XRE 300 cruzou por mim e buscou ao Arli que estava mais à frente.
Buzinou, diminuiu a velocidade, sinalizando para que parássemos.
Assim o fizemos. 
Disse ele: bem ali, à frente, há uma descida com um triangulo em concreto e mal sinalizado.
Pela velocidade que vocês estão vindo é quase certo que iriam ter dificuldade em contornar, pois estariam muito próximo ao 
concreto.
Outra coisa, disse o motociclista: aquele é o último posto por aqui, apontando para um posto próximo.
Depois, somente a 70 km, 
Voltei ao posto que havíamos deixado para trás, a uns três quilômetros. Arli não precisava abastecer.
No posto, nos apresentamos.
- Sou Alcides e esta é a minha companheira Iolanda Cristina, disse um casal que lá estava. Moramos em Palmas, complementou o Alcides.
                                  O parceiro sugeriu efetuarmos lanche a, mais ou menos,15 km adiante.
Disse que o lanche do lugar era sensacional.

Arrancamos e logo perdemos a XRE. Alcides e Iolanda foram ficando pequenos, dada a distância que nos separava.
 Paramos no local citado pelo Alcides, que já se encontrava lanchando no interior do mesmo. 
                           Aproveitamos a oportunidade para as apresentações complementares e logo começamos a travar conversas.
                                 Alcides falou das suas viagens, das motos que já tivera, dizendo que atualmente tem utilizado mais o automóvel como veículo de descolamento.  Também falou da questão do turismo no Jalapão,  onde , por meio da sua agência, faz transporte, acompanhamento e turismo guiado.
Disse, por fim, que iria viajar conosco até  Palmas.
                                   Concluído o lanche...para a estrada.
 O tempo rapidamente mudou e começou a chover. 
Da chuva para chuvarada, o que nos obrigou a parar para rapidamente colocar as roupas apropriadas para chuvas.
                                   
Tudo tranquilo, voltamos a rodar. Em pouco mais de meia hora, paramos para retirar as roupas plásticas, protetoras contra as intempéries. 
Segundos antes de retornarmos para a rodovia, Alcides propôs, ficarmos em sua residência. Tenho uma chácara que dista 2 km do centro de Palmas. Seria ótimo receber vocês em nossa casa, complementou.
                                           Não chegamos a responder, pois estávamos com as motos praticamente em movimento.


Aos poucos, Palmas foi se apresentando. Cruzamos uma  grande ponte sobre um também grande rio. Veio uma cadeia de montanhas e ingressamos em uma grande avenida.





Ali estava Palmas
a nossa 20ª Capital
                                        

      Diferente. Muito diferente a capital que estávamos percorrendo.
Avenidas largas, compridas,com trânsito fluindo numa velocidade atípica para final de tarde e início de noite.
      Paramos em uma das avenidas.  
    Para lá é o centro da cidade, disse Alcides. Para cá, é a minha casa. Fiquem lá, já está anoitecendo, argumentou.
         Rendemo-nos  e a aceitamos ir para chácara.
   
Em pouco tempo, chegamos ao "Rancho do Alcides". 
       Uma bela casa, com uma área muito extensa.
Naquele momento, ninguém conseguiu ingressar no interior da casa, inclusive a senhora mãe da Iolanda. 
Um familiar havia saído com a chave e, por hábito, ninguém costuma carregar chaves. Sempre tem alguém em casa, comentaram.
Ficamos conversando, as escuras, por mais de meia hora. 
Aproveitamos este intervalo para também avisar aos nossos apoios de que já estávamos instalados. Arli fez contato então com o Osmar, o Frajola e o Emanuel.
Frajola propôs nos encontramos, mais tarde, no sede do Escória Moto Clube, pois la iria acontecer a Festa de Halloween. 


Alcides, Gilberto Cesar , Arli e Fábio

Chegou o cidadão com a chave. 
Fábio estava consertando o seu veículo, e por isso se demorara. 
                      
       Ingressamos rapidamente, tomamos um banho e nos preparamos para ir para o jantar no centro da cidade e depois para a festa.
         Fomos de carro, Alcides, Arli e eu.
                      
Ao longo da janta, Alcides foi falando de Palmas, que está com 27 anos. Que a cidade é uma cópia de Brasilia, no tangente ao traçado das ruas. Que tudo passa pelo Eixão, estando também tudo setorizado. 
É igual à Brasília. complementou.
                        Devidamente jantados, fomos para festa no Escória Moto Clube, oportunidade em que podemos conhecer, conversar e aproveitar das festa das bruxas com alguns  motociclistas de Palmas.
            A boa festa, com um ambiente todo especialmente preparado, e também com muitas comidas exóticas, foi muitíssimo  animada, tendo recebido um excelente  público das duas rodas.
Na festa, aproveitamos para marcar a agenda de passeios para o dia seguinte.
Alcides, Frajola, Arli e Gilberto Cesar
        

 Por ali ficamos até por voltas das duas horas, quando começamos a pegar o caminho de volta, sempre acompanhados pelo Alcides Neiva, o nosso anfitrião.



68º dia

Quarta-Feira, 02/11
Em Palmas   
Motos na Garagem - Residência do Alcides
                                            Feriado nacional, dia de passear por Palmas, porém  dia muito especial para o parceiro Arli Figueira, que estava de aniversário.
Arli, o aniversariante

                         Arli, que  recebera as felicitações ao longo do café da manhã, tratou de ultimar os acertos para os passeios, junto aos motociclistas parceiros.

                        Alcides não nos acompanharia, devido a compromissos de trabalho.
                                                    Nos despedimos e rumamos para um posto de combustíveis, bem próximo, não mais do que 4 km.


Prof. Alex, Pequena, Andarilho, Arli, Frajola e Gilberto Cesar
                                                 Lá já estavam os parceiros. Nos cumprimentamos e ficamos preenchendo os  espaços com muitas conversas. Em meia hora, saímos do local.
Começamos o passeio por Palmas

Praça dos Girassóis, o grande orgulho da cidade. Segundo consta, esta é a segunda maior praça do mundo. Tem 571 mil metros quadrados.
Monumento aos 18 do Forte de Copacabana
Memorial Coluna Prestes


Nela, diversos monumentos e também  o palácio de governo e o memorial da coluna prestes.


Este último, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer.

                O calor ,na Praça dos Girassóis, estava imenso. Por algumas vezes, nos refugiamos sob as sombras das árvores para poder encarar o passeio. 

 Deixamos a praça, indo em direção à Ponte da Amizade, que fica sob o lago, formado pela construção de uma usina hidrelétrica.
Em Luzimangues, do outro lado da ponte, foi onde efetuamos o almoço.
                   Borba, um artesão na arte de customização de motos, passou para nos conhecer e conversar.
Falou do seu trabalho e se inteirou  a respeito da nossa viagem.

E voltamos a rodar por Palmas, indo até a praia da Graciosa, bem no centro cidade.

 Da área central, fomos para o balneário Cachoeira do Taquaruçú, distante uns 15 km do centro.
O excelente balneário contava com um bom público. Ali, alguns tomaram banho de rio e outros ficaram a se refrescar sob as sombras. Um bar colaborava com o fornecimento de líquidos gelados.
Alguns pequenos
macacos, acostumados a rotina do balneário, desceram das árvores para beliscar comidas e frutas, algumas deixadas pelos banhistas.

                   Uma passada pelo mirante, foi a sugestão do Frajola, ao que todo grupo concordou em ir. 
Com uma subida bastante íngreme, porém bem asfaltada, logo chegamos ao ponto de onde é possível se ter uma visão muito boa do entorno. 
No local, um ponto de turismo, onde é possível contratar passeio pelas trilhas, adquirir produtos locais e lembranças.



E começamos o retorno para o centro da cidade. A tarde já estava quase cedendo seu espaço para o anoitecer.


Uma parada em um bar e lanchonete, para refrescos e lanche.
Neste local, o encontro com o Gaúcho, um conterrâneo que está há muito tempo lá em Palmas
Gaúcho é proprietário de um ponto de vendas de "espetinhos", no qual prometemos jantar, ainda naquela noite.
                                    E assim o fizemos. 
Esgotado o tempo no bar e lanchonete, rumamos para o Espetinho do Gaúcho.  
O forte ponto comercial fica em uma movimentada esquina de Palmas. Na chegada, deu para ver o sucesso que faz o "churrasquinho", dada a presença de um grande número de pessoas por ali.
São diversas mesas e cadeiras sobre a calçada, com o diferencial que junto com o espetinho, vem a janta, qual seja: arroz, saladas, farofas e o espetinho.
Ficamos por um longo e bom tempo "churrasqueando" os espetinhos. 
Depois disso, começamos o caminho de volta para casa do Alcides.
Os parceiros, que passaram o dia inteiro conosco, também foram nos acompanhando até a chácara.
Quase na chegada, nos perdemos por duas vezes. Por sorte, encontramos com a Iolanda, que de pronto nos levou para a casa.
                  Alcides não se encontrava ainda. Conversamos mais um pouco e os parceiros de Palmas retornaram para as suas casas.
Com a família, comentamos a respeito da maratona do dia. Foram 115 km de passeio.
                    Nos despedimos, muito gratos, dos amigos motociclistas do Moto Clube Asquerosos.  Foi um longo domingo  de muitos passeios, alegria e parceria. Frajola, Andarilho, Pequena e o Prof. Alex foram sensacionais. Um tremendo apoio foi dispensado a nós.
                           Iolanda Cristina preparou o "Pequi", fruto muito utilizado na culinária do cerrado, e Fábio preparou uma excelente galinha caipira.
Encerramos assim a nossa noite de feriado em Palmas. Em grande estilo.



69º dia

Quinta-Feira, 03/11
De Palmas para Campinorte


Nos despedimos dos anfitriões Alcides e Iolanda Cristina, quando ainda não eram 7h da manhã. 
Nossa intenção era pernoitar na cidade de Mara Rosa, pouco mais de 515 km. 
                              Agradecemos muito pela acolhida, amizade e parceria do jovem casal.
Ambos foram sensacionais, e dissemos poder, em breve, retribuir o carinho e amizade, quando forem à Porto Alegre. Estamos aguardando vocês!!
                         
 Abastecimento das motos, ainda em Palmas, e fomos nos encaminhando para a rodovia, TO 050.
Por ter ruas largas, o trânsito é tranquilo. Mesmo no chamado horário de pico, o fluxo de veículos escoa sem problemas. 
Efetuamos uma parada no terminal rodoviário de Palmas, na busca de uma lembrança da cidade. Arli ficou praticamente na rodovia, e eu dei uma caminhada de uns mil metros em busca de um souvenir.                                                           

 Na localidade de Oliveira de Fátima, uma parada para descanso.
Nessa pausa, uma olhada no artesanato regional, que se encontrava fartamente exposto. O capim dourado é o carro chefe do artesanato de Tocantins.
Tenda de artesanato em Oliveira de Fátima

          
         Para não perder o costume, efetuamos a compra de pequenos adornos.
         
Abastecimento em Gurupi
 Em Gurupi, intervalo de jornada para o almoço. Um excelente local, ao estilo mini shopping. Um enorme posto de combustível, praça de alimentação e uma dezena lojas compunham o complexo chamado Décio Empreendimentos.
                                                                               Como abrira mão do almoço, por um lanche, me liberei um pouco antes e fui me refrescar na parte central do empreendimento.
                            Repentinamente, fui abordado pelo chefe do local, que saiu rapidamente dizendo; ... .. .. O Sr. deveria ter avisado que viria. Iríamos preparar uma recepção. Eu só soube que o Sr. estava aqui, porque o frentista avisou.....
Não entendi nadinha.
Tentei dizer que eu era eu.. e não uma outra pessoa.
                    Desculpe Sr. ... mas o Sr.é igual, do jeito e muito parecido com o nosso  presidente ... desculpe.
Que presidente ? .... perguntei
                               Da nossa federação de distribuidores de combustíveis para Goiás, ... respondeu o sujeito.
Muito desconsertado, ele foi saindo.
                        Quando fui pegar a moto no estacionamento, em frente as bombas de combustíveis, vi que quase todos os frentistas estavam me olhando e depois os vi zoando de um outro frentista, que estava num canto, muito acabrunhado.
A divisa de Tocantis com Goiás
                                    Recomeçamos a viagem em pleno calor das 14h. Rodamos por mais uma hora e veio a divisa dos estado de Tocantins  com Goiás.
Estávamos ingressando em mais um estado brasileiro. Então, paramos para os registros fotográficos.
                                          No embalo do quase final da tarde, tendo o sol e o calor cedido espaço para um aprazível nublado, Arli nem viu  uma pequena placa que indicava Mara Rosa a 15 km, com saída para o lado direito.


Cruzou.
Cruzamos.

Só mais adiante, em outra parada para abastecimento, é que comentei o fato. 
                    Pela informação do frentista, o Campinorte, um pouco mais à frente, seria então  o local do pernoite.
                           Pra lá fomos. Tratamos de arrumar um local para o pernoite, o que de certa forma não foi difícil.
               
Rus principal de Campinorte
      A cidade tem uma rua principal como dorso e, praticamente, ali se concentra toda a área comercial. 

A via, que  serve também para a caminhada das pessoas ao final da tarde, acaba se tornando bem movimentada, em função da concentração dos segmentos ao longo do leito.


Hotel dos Amigos, em Campinorte
O Hotel dos Amigos,ficava também nessa rua principal.
                                        Tratamos de nos banharmos, de jantarmos e de fazermos uma caminhada pelo centro, para só mais tarde o descanso merecido.
Motos no interior do hotel

70º dia

Sexta-Feira, 04/11
De  Campinorte para Goiânia


  A  pouca distância entre Campinorte e Goiania nos permitiu acordar um pouco mais tarde. Eram 7h 30  quando nos levantamos e tomamos um café no próprio Hotel dos Amigos. Depois, uma pequena caminhada pelo centro da cidade.


Essa caminhada justificamos como sendo para conhecimento de rotina da cidade, que estava começando mais um dia de trabalho.

Foi questão de meia hora e já estávamos no Hotel pegando as motos para reinício de jornada.

 Nossa rodovia, a BR 153, estava recebendo um acentuado número de caminhões, o que deixou a rodagem um pouco abaixo do normal, requerendo, portanto, mais cuidados.
Assim foi até por volta do meio dia, quando então paramos para o almoço na cidade de Jaraguá
Havíamos rodado mais de 180 km no lento trânsito da rodovia.
        

Jaraguá é um importante polo de confecções e vestuário da região. Para ela, convergem inúmeras logistas em busca dos produtos, bem como um grande número de excursões com os compradores de vestuário para revendas.
Super lotada a entrada da cidade, local onde mais de uma centena de pequenas lojas ofertam vestuário, cama e mesa.
                                 
      Deixamos a cidade polo e voltamos para a rodovia. Ainda nos restavam pouco mais de hora de viagem até a capital de Goiás.
     Sem alterações, fomos rodando e, aos poucos, foram surgindo as edificações da cidade.


E iniciamos o nosso ingresso em....

Goiânia,
a nossa 21ª Capital
                                   
  
     Nesta capital, deveríamos efetuar a troca de filtro e óleo das motocicletas, bem como efetuar um check-list, seguindo o ritual das concessionárias.

Foi muito tranquilo encontrar a revenda da Honda. Uma só pergunta a um motociclista e logo estávamos ingressando na revenda.
                                             Nas conversas com a técnica  atendente, ficamos sabendo que é farta a oferta de hotéis nas proximidades do terminal rodoviário. Ademais, disse ela, ali é um polo de venda de confecções, o que será um atrativo a mais para vocês.
                                     Liberadas as motocicletas, nos encaminhamos para lá e depois de uma pequena pesquisa, optamos pelo Hotel Adonai.
Juntamos preço e aparente qualidade,  isto num primeiro momento.
 Depois de instalados, deixamos as motos na garagem do hotel e saímos a pé para dar uma volta pelo entorno.
                               O terminal rodoviário é enorme, muito movimentado e tem um mini shopping como suplemento.


Em frente ao shopping, um grande polo de venda de confecções por atacado e varejo.
Uma verdadeira multidão de pessoas. Uns vendendo, outros tantos olhando, comparando ou comprando.
 Na caminhada, soubemos que no sábado, ao lado do terminal rodoviário, acontece a Feira da Lua, maior feira de venda de roupas e confecções da américa latina.
Ficamos a imaginar:  se a feira permanente já era enorme, como seria então esta outra feira,  ....  a de sábado.
                                      E voltamos para o hotel depois de um grande passeio pelo polo de vestuário, arredores e jantar.

71º dia

Sábado, 05/11
Em Goiânia
                              
No pós café Hotel Adonai, tratamos de pegar ônibus para os passeios pela Goiânia.
Uma passada pela Feira da Lua, até para conferir o tamanho da mesma.
Enorme. Trata-se de uma grande cidade de lonas, onde verdadeiras ruelas vão se formando, e são bancas para todos os lados. 
Um labirinto, na sua essência.
                                                         Dali para o centro da cidade.
Uma parada na Praça Universitária. 
São quarteirões de cultura, inteligência, sabedoria, estudos e pesquisas. 
No entorno estão instaladas as mais diversas universidades de Goiânia. Um polo educacional e cultural que, por consequência,
se traduz na praça, por meio de esculturas, marcos e obras de arte expostas. 

Um verdeiro museu a céu aberto, foi  o que vimos

                              
  O local, que também é palco para manifestações sociais e políticas, recebe um grande número de pessoas da cidade, que lá vão para assistir ao por do sol que, segundo soubemos, é magnífico.
                        Da praça para o centro comercial da cidade. 

Foram quatro quarteirões de caminhada e chegamos ao Mercado Municipal.

                  

Entrada do Mercado Municipal em Goiânia
O antigo mercado, muito bem 

preservado, encontra-se encravado em meio a prédios modernos, tendo, inclusive, a sua entrada principal passível de confusão com a entrada de uma grande loja comercial.




Adentrando é que se pode perceber tratar-se de verdadeiro mercado.
                                
       Ali, como em quase todos, as bancas oferecem desde alimentos até o artesanato. 
No setor de alimentação as famosas "empadas ou os empadões goianos"  são ofertadas em mais de uma dezena de bancas. Trata-se de uma tradição que não deve deixar de ser experimentada. 
                     
                                 Do mercado para a Praça Doutro Pedro Ludovico Teixeira, a Praça Cívica.


Nas proximidades, o  Relógio Central, obra datada do ano 1942, que por muito tempo foi ponto de referência da cidade. O monumento está tombado pelo patrimônio Histórico do Estado, na classificação acervo arquitetônico em Art-déco da capital. 

Ao redor da praça se encontra o Palácio das Esmeraldas, residência do governador do estado; o Palácio Pedro Ludovico, antigo centro administrativo; e o museu Zoroastro Artiaga.
No centro, o Monumento às Três Raças, a homenagem  ao branco, ao negro e ao indígena.
                         
                         Efetuamos visita ao Museu.
     São dois andares de muita história e preservação da memória da cidade de Goiás.
No antigo prédio, arquitetura em Art-déco, há  um variado acervo, composto por utensílios e objetos que se relacionam com o  índio do centro oeste do Brasil. 
Uma documentação, também farta, conta muito da criação da nova capital, nos anos 1940. 
                        
            Com exposições permanentes e temporárias, o museu que leva o nome do seu primeiro diretor, Professor Zoroastro Artiaga, estava recebendo, naquele sábado, um grande número de turistas, o que de resto, segundo falaram os atendentes, é uma constância naquele espaço cultural.
Na praça, um grupo de jovens estavam tocando instrumentos de percussão, a título de prazer musical.
Foi assim que um deles se manifestou.
Quase todo sábado utilizamos este espaço para fazer batucada, falou.
        
       Deixamos a praça cívica, voltando para a área central com o objetivo de almoçar e, mais tarde, continuar a maratona. Já passavam das 14 horas.
      
                     Na parte da tarde, continuamos com as caminhadas, até por volta das 16h.
            Numa das cruzadas, em pleno centro,
uma placa apontava para o Museu de Arte Urbana.  Ingressamos em uma pequena viela  que guarda, em seu final, um grande espaço de arte popular.
Na verdade, trata-se do Beco das Codornas, um antigo estacionamento que  também  servia como ponto de drogas, prostituição e lixão. 
Foi por meio de um  projeto acadêmico,  que o Beco foi sendo transformado em ponto de encontro de arte,  música e comidas.
Ali se encontram jovens que curtem a arte urbana e  produzem seus trabalhos sob a escuderia da Associação dos Grafiteiros de Goiás.
                                
Em continuidade, a cruzada com um outro prédio histórico da cidade: o Teatro Goiânia.


O prédio foi uma das primeiras edificações da nova capital, 1942 , seguindo o estilo artístico Art Déco, como outros tantos na cidade.
Goiânia, cidade que foi planejada e criada para a ser a capital do estado, teve sua inauguração no ano 1942. Antes, o privilégio era da cidade de Goiás, ou Goiás Velho, hoje considerada como Patrimônio Histórico Mundial, devido ao seus casarões, ruas e templos que compõem o centro histórico.

                              Começamos então a rumar para o estádio Serra Dourada.

                              

 Um clássico local estaria acontecendo, a partir da 17h, envolvendo o  Goiás x Atlético Goianense.
                 Juntamo-nos a alguns torcedores, ainda no centro, e desembarcamos no estádio.

Um bom público já se encontrava no entorno do moderno Serra Dourada, com bandeiras e camisetas, cada qual da sua agremiação.
No interior, também a presença de torcedores era bem acentuada.
Ao final, deu Atlético pelo escore de 4x2. 


Foi um bom jogo de futebol, com problemas tão somente na saída, quando alguns torcedores de um lado, complicaram a saída dos torcedores do outro lado.

Mas nada que a polícia montada não pudesse resolver, 
apesar da correria de alguns.

                          Já com a noite muito presente, voltamos para o entorno do terminal rodoviário e do polo de confecções.
                     Uma passada pelo que ainda restava da Feira da Lua, e olha que era bastante coisa ainda, e depois o jantar em um restaurante próximo.
De volta ao hotel, tratamos do descanso, para encarar a continuação da viagem no dia seguinte.


72º dia

Domingo, 06/11

De Goiânia para Brasília
                     
  O domingo amanheceu com chuvas em Goiânia. 

Ao longo do café, chegamos a comentar que daria para rodar sob as águas, sem a necessidade das roupas plásticas. E foi o que fizemos. Motos prontas, começamos então a deixar o Hotel Adonai.
 A saída da cidade foi tranquila. Seguimos as placas de identificação e logo chegamos à rodovia BR 153. O relógio da moto estava marcando  7h30m, quando ingressamos na rodovia.
São pouco mais de 200 km que dista Goiânia do Distrito Federal.

          Com um hora de rodagem, o sol apareceu, brilhou e esquentou. Já estávamos cruzando a cidade de Anápolis.
     Deixamos a BR 153 e ingressamos na BR 060, uma rodovia de excelente qualidade. 

Mais quarenta minutos, e começamos a cruzar pelo município de Abadiânia, com alguns moradores indo para a feira livre, coisa de domingo  em algumas cidades.
                     Pouco adiante, uma outra banca de estrada anuncia, como destaque, as penosas, apesar da grande maioria de vasos colocados à disposição.
                                         Em Alexânia, efetuamos uma parada para reabastecimento das motocicletas e um descanso, com café e água. 

            Neste trecho, um grande número de motociclistas e ciclistas rodavam no sentido contrário...vindos de Brasília, foi o que pensamos num primeiro momento. O que depois foi confirmado pelo frentista, que falou ser uma prática comum aos domingos.   
Eram muitos os comboios.   
                                     As motos esportivas, super velozes, se destacavam pelo barulho inconfundível dos motores acelerados. 


De Alexânia até a divisa de Goiás com o Distrito Federal, foram pouco mais de trinta minutos. Aproveitamos para uma parada, onde paramos para os registros fotográficos.

Pouco tempo depois, começamos a avistar e reconhecer as edificações do Distrito Federal





Estávamos ingressando em
Brasília
a nossa 22ª Capital
       
A nossa entrada e o deslocamento foram tranquilos. O trânsito de domingo é bem mais calmo, o que nos facilitou a rodar.
Um outro ponto facilitador foi o fato de que já estivera em Brasília por diversas vezes, então, mais tranquilo ainda para revisitar alguns dos pontos turísticos. 
                                              Conforme combinação, faríamos a maioria dos pontos de interesse, utilizando as motocicletas, deixando a parte da tarde para os deslocamentos a pé.




Começamos pela Catedral, mais tarde a Praça dos Três Poderes, Museu da Cidade
e Esplanada dos Ministérios.

Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Itamaraty e Supreno Tribunal Federal, todos fizeram parte desse mesmo circuíto.

                                                 Aproveitamos para visitar alguns monumentos, bem como o Memorial Jk.
           
Gilberto Cesar, Jeferson e Arli
Ali, encontramos o motociclista Jeferson, gaúcho de Caxias do Sul, que estava em viagem pela Chapada dos Guimarães.

Jeferson registrou  os pontos turísticos na Praça dos Três Poderes.
Falou que  o seu tempo estava se esgotando, e precisava retornar para o sul o mais breve possível. Se despediu e rumou para a estrada.   

E nós continuamos a rodar. Uma volta pelo Eixão , Torre de TV,  Estádio de Futebol, Monumento JK, outras vias importantes e visita à Federação Espírita Brasileira, no Setor de Grandes Áreas, Asa Norte. 
         Praticamente esgotada a parte da manhã, tratamos de buscar uma pousada. A indicação  que tínhamos nos remetia para diversas existentes na proximidades do Parque da Cidade. Nos instalamos em uma delas. 
                   Muito solícitos, os proprietários trataram de nos encaminhar para um estacionamento próximo, para a guarda das motos e bagagens que não iríamos descarregar.
                                             Adentramos ao quarto somente para um banho e voltamos rapidamente para as ruas da capital federal.
                                   
  Fomos ao Parque da Cidade que se encontrava muito lotado com os domingueiros do pedal e outros tantos a passear.
Na sequência,  ao estádio Mané Garrincha, estádio da copa do mundo 2014 e olimpíadas 2016. O grande estádio impressiona pela sua beleza e tamanho.

                                         
 A Feira da Torre foi o outro local onde nos demoramos bastante. O vasto local de venda de artesanato, exposições, mostras, exibições e apresentações artísticas estava muito repleto.
Aproveitamos para um lanche, em meio a caminhada pela feira.
                                                             Ao final da tarde, voltou a chover e, sob muita água, nos encaminhamos a um restaurante permanecendo por muito tempo entre "tira gosto", cervejas e o jantar.
 A chuva não parou, e com isso tratamos de nos encaminhar para a pousada, encerrando nossa jornada pela Capital Federal.
                                                        

73º dia

Segunda-Feira, 07/11

De  Brasília para João Pinheiro        
Deixamos Brasília lá pelas 8h, depois de um bom café na pousada. 
Nela, uma boa conversa com a proprietária que se interessou muito pelo trajeto que já havíamos percorrido.
Vocês já estão em casa ... disse ela, considerando as distâncias já percorridas.   
                                 Nos despedimos e ,com pouco fluxo de trânsito,   fomos nos encaminhando para a rodovia.


Na cidade satélite de Santa Maria, efetuamos o abastecimento das motocicletas.
Entramos na rodovia DF 050, mais tarde na 040, até Valparaíso de Goiás
Trânsito lentíssimo, não pelo fluxo, mas sim pela exagerada presença de controladores. Ora 80 km, ora 60 km. Um complicador exagerado em nosso caminho.
                                     

Em pouco tempo, cruzamos pela divisa do Distrito Federal com o estado de Goiás.

Em Cristalina, uma parada para reabastecimento, almoço e também visita ao artesanato em  pedras. 

Essa cidade já teve seu auge na extração e comercialização de cristal de rocha. No entanto, ainda hoje são vários os turistas e artesãos que vão lá em busca de matéria prima, o cristal.
 Deixamos Cristalina e voltamos para a BR 040 com o propósito de parada na cidade de Paracatu, já no estado mineiro.     

 Em meia hora de rodagem, cruzamos a divisa dos estados de Goiás e Minas Gerais.  Mais um estado que lográvamos em nossa jornada.
                  A tarde estava um pouco quente, porém em boas condições de suportabilidade e dirigibilidade. Em meio a ela, chegamos à cidade de Paracatu
                               
Quase chegando na cidade, pouco mais de 2 km do centro, é possível ver a Mina de Ouro, denominada Morro do Ouro, de perto
A mina chama muita atenção. Primeiro, porque foi uma coisa nova para nós. Segundo, pela extensão e movimentação no entorno.
                          Mas se trata de uma cidade cheia de histórias, com rico conjunto arquitetônico, estilo colonial, e em bom estado de conservação.
Paracatu faz parte das dez cidades mineiras tombadas pelo Patrimônio Histórico, o que lhe outorga a chancela de cidade turística, culturalmente falando.
                           
Dentre os prédios históricos visitados, estiveram a Casa de Cultura, A igreja de Santo Antonio de Pádua, O Museu e a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Mas não é só isso. Uma série de ruas estreitinhas  conservam seus casarões muito intactos, o que deixa a cidade com um charme colonial imperdível de visitação.
                         Destaque especial para o atendimento do pessoal na Casa de Cultura. Além de estarem bem preparados para contar a história da cidade, a equipe é por demais cordial.
               Na casa, há ainda um espaço onde se pode adquirir lembrança e souvenirs da bela cidade histórica.
                                     Depois da longa visita, deixamos a histórica Paracatu para percorre os últimos 100 km do dia. 
Uma parada em Lagoa Grande, para reabastecimento e esticada nas pernas, e já ao anoitecer chegamos ao nosso destino: João Pinheiro.


Nessa cidade encontramos o Hotel do Jairo rapidamente. E ali ficamos....
                             
Fotos e Relato: Gilberto Cesar
Moto Grupo Com Destino
Porto Alegre - RS
comdestinomotos@gmail.com
gilberto-cesar13@hotmail.com
 



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